Boavista 3-1 Moreirense (Crónica)

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A história do jogo desta tarde, em que o Boavista garantiu a permanência na I Liga, pode fazer-nos recuar três anos, quando Petit regressou ao Bessa «para ajudar o clube do coração», ou alguns meses, quando o ex-campeão pelos axadrezados pegou num contentor de jogadores e fez uma equipa de futebol. 

Em qualquer dos casos, além da equipa cheia de raça e vontade que construiu à sua imagem, assenta bem ao treinador o papel de protagonista. O que para muitos era missão quase impossível, para Petit foi uma tarefa vencida etapa a etapa. Hoje chegou o jogo em que o Boavista garantiu a permanência: o mesmo Boavista subiu dois escalões numa época aguentou-se na I Liga. Não é coisa pouca. 

De há algumas jornadas a esta parte que se percebia que era uma questão de tempo até o Boavista garantir a manutenção. Aconteceu a três jornadas do final, num duelo entre o xadrez do Bessa e o de Moreira de Cónegos que até começou equilibrado. A chuva e o vento ajudaram a que o músculo fizesse mais a diferença que a cabeça. 

O Moreirense entrou melhor e até marcou por Leandro Souza, logo aos 12 minutos, num lance anulado por fora de jogo, após livre de João Pedro. Os minhotos foram controlando a partida até aos momento em que o Boavista virou o tabuleiro. Idris aproveitou um canto de Tengarrinha para desviar de cabeça uma bola que ainda tocou na defensiva do Moreirense antes de entrar na baliza. Pouco depois, à passagem da meia-hora, o Boavista quase aumentava a vantagem. Brito, sempre um perigo pelo flanco esquerdo, cruzou tenso para Zé Manuel rematar à entrada da área e Marafona fazer defender um golo cantado no Bessa. 

O Boavista ocupava melhor os espaços e, apesar da certeza de passe não abundar, foi ganhando metros no meio-campo. Ainda assim, a equipa de Petit tremeu por uma vez ainda antes do intervalo, num livre forte e colocado de João Pedro. 

No regresso para o segundo tempo, a fórmula do golo voltou a resultar... E para os dois lados. Canto, cabeça e golo... Foi assim que Idris bisou na partida, após canto de Brito (57m); e foi também deste modo que o Moreirense reduziu, minutos depois (64m), quando Edivaldo Bolívia, acabado de entrar, correspondeu na área a um canto de João Pedro, o melhor dos minhotos. 

O ímpeto com que o Boavista entrou após o intervalo parecia esmorecer, mas acabaria por ressurgir com as alterações feitas pelo técnico (Cech, em particular, trouxe muito discernimento ao meio-campo) e o golo que resolveu em definitivo a questão da permanência acabou por surgir já nos dez minutos finais. Novamente de cabeça, claro está, e novamente com assistência de Afonso F.. Desta vez foi Zé Manuel a esticar-se e a cabecear para o fundo das redes de Marafona. 

Estava dado o xeque-mate na partida e dada a garantia de que a chuva e o vento não resultariam num balde de água fria nos minutos finais no Bessa. O Boavista venceu justamente e continua na Liga. No final, Petit guardou ainda a última substituição para fazer entrar Fary, que aos 40 anos recebeu o mais caloroso aplauso que um estádio pode dar. 

Fary, que também regressou ao Boavista para ajudar no tempo em que poucos tinham esperança no regresso aos melhores momentos, mereceu o prémio. É também por isto que Petit é o principal responsável por ter voltado a fazer grande o Boavista.

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